domingo

Retrato pensado


Flores,
Estou assim, triste. Partir é tão, tão dificil e choroso. Só pensar e os olhos de lágrimas enchem e elas são impiedosas, caem, ferem. Como é sentir saudades sem ao menos ainda ter ido? Penso em vocês assim, como a minha possibilidade de salvação durante todo o ano de 2009, e nos outros, e em outras vidas, em todas as vidas vividas e ainda não. Abraços de se transbordar e me transbordo ao ver que dentro dos meus abraços as ausências hão de ser milhares. Tristeza e, como sempre, acompanhada de choro. A gente tem que ir em frente, não é?! E ai de vocês se ameaçarem parar. Vocês são luzes, estrelas, o essencial é brilhar, sem limites! Não consigo, dia após dia, não falar disso. Não falar dessa partida, desse "ir", desse "seguir". Sabe o mais me conforta? Saber que as deixo aqui em boas mãos e saber que sigo por um bom motivo e que volto, assim que necessário, e que as levo, sempre. Laços de amizade mais laçados que essas pulseiras, resistindo ao tempo, ao destino, aos caminhos.
"O tempo nos mostra os laços de amizade resistindo aos momentos por tê-lo tecido de sentimentos. O tempo é a fonte do amor. Infinito registro bem maior que o finito intermédio ao alcance nosso."
Com amor, lágrimas, e toneladas de uma saudade antecipada,
Maria, a de sempre.

Deveras.

Meu,
Vê só, já é quase noite e o tempo passou tão rápido. Estou colocando todas as roupas na mala azul, aquela mala azul, sabe? Será que foi culpa nossa o tempo passar rápido assim? Amanhã eu estou indo, em direção ao temporal. Não, amanhã não. Na verdade, é um outro dia. Amanhã, que também não amanhã, colocarei meu vestido colorido para seguir em direção ao neutro de uma festa de formandos. Não vais me acompanhar, eu entendo. É tanta coisa na mala, não muita roupa, nem muita cor. Sabe o que é? É muita saudade, coloquei tudo dentro da mala e só vou abrir quando lá chegar. Ah, pede pro tempo parar de correr, por favor, por favor... me cansa tanto falar do tempo, ainda mais num domingo tão quente assim, tão preguiçoso assim. Conheces minha antipatia com os domingos. Lancei os dados, deu três, ande três casas, "você atropelou a sua vida, fique uma rodada sem jogar" uma, duas, fico todas as rodadas e sou punida no jogo da vida. Pronto, entreguei a ti os pontos e de novo, de novo, vencestes. Convida-me para mais uma partida, estou cansada. Meu jogo continua parado e a frase martela ferozmente em minha cabeça "você atropelou a sua vida, atropelou, atropelou...", mas com que carro? Diz, diz! Não tenho carro, mas atropelei mesmo assim, tropecei nos meus passos e devo ter caído no caminho, perdido-me no caminho. É isto que quer dizer atropelar? Quando a gente erra, erra mesmo sem ter um carro para atropelar, a gente toma rodas e trata de fazer o trabalho sozinho. O ser humano ama o erro, diz que não, mas ama, se não amasse, não acordaria e erraria qual pé colocar primeiro para fora da cama, eu coloco sempre o direito, para evitar qualquer distração. Mas evito ainda de lançar os dados, amor. Atropelar, é o verbo do dia. Não atropeles, não! Cuida-te amor, meu mais doce abraço. Um cheiro,
Tua.

sábado

Nem vem que não tem.

'Nem vem de garfo que hoje é dia de sopa (...)Nem vem de escada que o incêndio é no porão.'
Simonal

quinta-feira

Vento de estrelas

Querido,
Decidi não correr, não me mover e assim não cansar, e assim não chorar, e assim não me ferir. Estou sentada na primeira fila, assistindo todos os teatros que a vida me permite, para após aplaudir e novamente me sentar... um novo teatro há de começar. Onde eu quero chegar com essa história de teatros? Em lugar nenhum, eu só não quero, por hoje, escrever sobre o amor. Hoje eu decido falar que sigo o caminho que a vida me mostrar, eu só quero seguir. Hoje quero dizer que aprendi e adoro estar sozinha, e que solidão não é, de forma alguma, estar sozinha. Desprezo a solidão, mas decidi que posso voar sozinha e que grandes são minhas asas, não preciso que ninguém me mostre a rota de vôo. Eu estou feliz assim, aqui. Olhei lá para fora agora, o céu tão azul e nuvens tão baunilhas, como uma fotografia. Não há sentido, mas é tão imenso sem que alguém precise dizer que ele é azul por tal motivo, ou baunilha por outro motivo. Motivos são tão pequenos, e tudo é tão imenso. Imensidão. A gente olha, pare e pensa que o mundo é só aquele que a gente vê, de manhã, quando acorda, pela janela. Eu não sei o tamanho da circunferência terrestre, mas ela é do tamanho dos meus sonhos, ou maior, para poder dar espaço a todos eles. Tão grande que eu poderia hoje, num surto, atravessá-la correndo, do norte ao norte, e correndo encontrar todas as pessoas perdidas por aí, espalhadas por aí. E depois contar histórias, como Forrest Gump. O vento muda tudo, não é? Ventou, mudei. Mais uma carta endereçada a você... já deve estar se cansando não é? Mas eu preciso me aliviar de todos esses problemas, essa falta de tempo que quase me faz ter vontade de comprar mais um relógio e pedir mais tempo ao tempo para ter tempo de pensar, e para me aliviar preciso inventar e te escrever... ou será que te invento também? Não sei, sempre parte invenção, parte real, parte nada. Anota tudo isso, daqui a pouco venta e tudo torna a mudar. Não acredite mais em bolas de cristal, cartomantes, trace os pontos cartesianos de norte a sul e atravesse o mundo assim como eu. Esse mundo é tão azul e tão vasto... dá paz, não é?! É tão bom passar um dia sem falar de amor, de dor... é bom falar assim, só de paz. Em suma, é isto. Os dias são bons, faz muito calor por aqui e a meteorologia disse que o tempo dá tempo de sol para que possamos repousar sobre os verdes campos, aproveite! Meu mais doce abraço.
Da sempre sua,
Maria.

terça-feira

Olha.

"Vai, alegria
Que a vida, Maria
Não passa de um dia
Não vou te prender
Corre, Maria
Que a vida não espera
É uma primavera
Não podes perder"
Todo dia é quase despedida, todo dia é quase um motivo para chorar, todo amigo é quase uma vontade de ficar. E quem disse que é fácil partir? Quem disse que é fácil mudar os rumos da própria vida?

Segura a mão, a ausência, segura uma confissão.

Eu gosto de ver que mais um ano está chegando ao fim, mas esse ano... esse ano deveria prolongar por mais décadas e não seria ruim. É estranho saber que no ano que vem não escutarei a buzina do Tio Baccon às 6:40 em casa, entrar na van e ver aquela sorrisão da Deborah, logo depois o sorrisão da Rhaíssa. Mas eu não quero falar de horários, quero falar de 7 pessoas. Sim, sete, como meu número da sorte, como as maravilhas do mundo, como os pecados capitais, como os dias da semana, mas são sete flores, ou melhor, sete anjos me impedindo de cair. Queria falar também de todo esse sentimento em ebulição agora, esse sentimento tão grande de amor, e mais do que amor, esse sentimento de medo, medo de perder. Éramos oito juntas, assim, da metade do ano pra cá. Serão sete? Não, continuaremos oito. Ir não é abandonar. Sigo, mas sigo faltando o pedaço que deixo com vocês e me completando do pedaço que levo de todo o bem que me fizeram (e continuarão por fazer!) . Nós estamos tão juntas, em todo o lugar, sejam em "bem bolados", trabalhos, festas, qualquer coisa. É impossível pensar em uma sem pensar no conjunto todo. Somos parte, tijolinhos de um edifício. Penso agora em todas as histórias e dou muita risada, mas logo após as risadas vem essa vontade de chorar. Se o ano de 2009 me rendeu algo de bom? Sim, minhas 7 melhores, que não esqueço nem se esquecer!
Se estava escrito no destino eu não sei, mas que agora está, tenho certeza!
Amo tanto, tanto, tanto, e qualquer texto, por maior e mais cheio de frases de efeito, seria incapaz de descrever quão grande é este amor!
Com todo o carinho e o aperto da saudade para Ana Carolina, Amanda Andrade, Bárbara Potzik, Carolina Martoni, Deborah, Luana e Rhaíssa.

sábado

O tempo avança liberto, sem fronteiras nem limitações

05:39 a.m.
Querido,
Hoje minha cabeça não conseguiu acompanhar a rapidez dos rumos da conversa, desculpe. Eu sempre tento entender o que é que acontece conosco. Desculpe, saí da festa com uma vontade louca de te dizer um bocado de coisas e, como fazíamos antes, resolvi escrever, é a nossa melhor forma, não é? Eu vou indo, seguindo.. ano que vem não estarei mais aqui e chega a ser triste de pensar, mas eu não quero falar disso. Eu quero mesmo dizer do quanto você deve parar de ler as entrelinhas. Sabe, tem um abismo, mas o oceano ainda existe e eu ainda navego neste barco furado... não, não sinta pena, eu quis assim, não é?! Por que, por Deus, nossos barcos resolveram se perder assim? Eu acredito no tempo e só. Parei de acreditar em mim, em você, em nós. Só acredito no tempo e na capacidade que ele tem de mudar todas as coisas num sopro de vento. Eu não queria que você me esperasse, eu não queria parar teu tempo enquanto eu fingia seguir, muito pelo contrário, eu queria que o seu tempo seguisse e que no nosso tempo a gente voltasse a se encontrar. Eu te dou um beijo na testa porque quero quebrar todo esse clima ruim que as poucos se tornou, e te abraço para calar as palavras erradas, para me calar, para te tirar a voz. E o destino, quem pode com ele? E daqui três anos, quando eu voltar, ainda vamos nos conhecer? Eu acho que sim, sempre que sim, só acho que as coisas aconteceram em horário nobre e a gente perdeu os fios da meada. Tudo isso está se tornando confuso demais, de novo. Eu simplesmente não aguento mais essa confusão. Queremos ser 'épicos heróis românticos' mas somos como os outros, somos absolutamente c-o-m-u-n-s, mas algo nos torna um pouco diferentes dos outros... você pode me dizer o que é? Eu acho que é essa nossa maneira de ver o mundo, ou esse ímã que atrai sempre os velhos pinguins... estamos sempre voltando, sempre regressando, e você ainda me pede para não falar de passado. Tudo o que somos hoje é o passado. Aprendemos demais com nossos erros. Você é a minha saudade do passado. É um pecado ainda não sermos os mesmos. Eu não entendo onde quero chegar, mas é estranho ver tanto amor escapando por entre os dedos. Não sei o que fazer, nem por que caminho seguir. Talvez o da direita, o da esquerda? Melhor ficar parada? O que a gente tem a fazer? Acho que seria melhor conversar, o que acha? Durante essa semana, para mim, está ótimo.
Da confusa,
Maria.

"o tempo avança liberto, sem fronteiras nem limitações"
PS: Não sei se você deve tirar alguma conclusão desse texto. Não sei de mais nada.