domingo

Conversas de domingo

- Sabe, eu fiquei preocupada ontem. Mandei para você todo o meu sentimento em palavras e você nada me respondeu. Achei que tinha feito tudo errado.
Só segurou sua mão. Não precisavam dizer mais nada um ao outro. Tudo já estava dito, embora nenhuma palavra fosse ouvida. Como no sonho, em que ele só apareceu e num olhar mudou todo o rumo da história. Talvez bem ali, naquela preocupação sem motivo (que quase roubou a noite de sono), o amor de mostrasse de verdade. Nada, nada de ruim poderia ( e nem vai) acontecer.

sábado

Escanteio

Phelipe,
"No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio"
Tudo errado. Sempre tudo errado. Agindo errado sem querer. Metendo os pés pelas mãos. Chorando pelo leite derramado. Andando pelos caminhos tortos. Vontade de deitar e dormir. É o som do medo. O som da dor da insegurança. Impossível como não posso mesmo confiar em mim. Impossível como todas as atitudes são vistas de forma ruim. Impossível como eu posso querer tão bem pros outros e esse bem não ser revertido. Por que é que eu não posso amar? Amar um pouquinho só, sem medo. Amar de um modo que possam me amar também. São tantas impossibilidades cercando esse caminho, um nó. Estou amarrada, enforcada. A mercê da sorte. A mercê do medo. O vento está ventando mais frio, pode ver? Eu fiz tudo errado, mais uma vez. Mais uma vez eu deixei escorrer pelos dedos minha possibilidade de ser feliz. Mais uma vez, e não me canso, de ver tudo passar por minha precipitação. Esqueça. Faz parte não conseguir.
Agradeço por ouvir meu desabafo, mais uma vez. Agradeço por ser tão paciente. Não me deseje sorte. Ela nunca veio até mim. Os caminhos são tão tortuosos que num caminho maluco ela se perdeu. Nesse caso, desejar não adianta.
Te abraço, forte. Acho que até algumas lágrimas caem no tecido leve da tua blusa.
Joana.

terça-feira

Termômetro

Hoje a escrita me disse olá, depois de tantos meses. Logo eu que, hoje mesmo, me julgava já tão ultrapassada para as palavras e, mais que isso, já me julgava tão desconhecedora delas. Deconhecer das palavras é - e sempre foi - um medo pra mim, afinal foram elas que me levaram anos a fio em frente. Elas e eu, na verdade. Peço licença agora, na hora do surto das palavras, para dizer um pouco de tudo que vem ocorrendo desde que eu me esqueci das horas, me perdi delas. Junto das horas, me perdi também de um bocado de coisas, de pessoas. Coisas e pessoas que ficam no meio do caminho porque encontram outra saída. Outra coisa que me assustava: deixar pessoas pelo caminho. Mas hoje descobri que as pessoas ficam porque querem, a gente não pode dizer nada. A única coisa que a gente faz é tentar salvar, e quase nunca dá. O natural é seguir em frente. Sempre em frente, mesmo que para frente seja o outro caminho, o de trás, o mais difícil. Essa foi a escolha que eu fiz. Sozinha. Ninguém me pediu para sair de casa tão cedo assim. Foi a escolha que fiz porque meu mundo e meus sonhos já não cabiam na casa da frente da praça. Meus sonhos já não cabiam em nenhum lugar daquela cidade. Mas hoje não sei mais se eram sonhos mesmo. Mudaram tanto, distraíram-se tanto e, assim como as pessoas&coisas, ficou pelo caminho. Eu mesma mudei muito, e sei disso. Meus amigos, que antes reclamavam de mudanças que nem existiam de fato, hoje vão se surpreender. Vão me pedir para voltar a ser o que eu era antes, mas eu nem ao menos sei quem eu era antes. A essência está aqui, pode ver? Pois é. Mudei porque a ordem natural da vida é mudar, caso contrário a "seleção natural" leva os outros e te deixa para trás. E ela nem se importa, sabe? Nem um pouquinho. A vida, num contexto geral, nem se importa, reduz as ilusões a pó, como diria Cartola. Continuo do mesmo jeito. As horas passando e eu reclamando das horas do cansaço do surto dos amores sem fundamento das dores nas costas. Os amores, como sempre, ocupando lugar na mente. O coração, como sempre, batendo forte por alguém-ninguém, ainda mais aqui, onde tanta gente se olha e tampouca gente se vê, compreende? Tenho aprendido que - e uso de um bom e velho clichê - só se aprende o sentido das coisas, verdadeiramente, quando não as temos mais. Mas eu falo das coisas miúdas. Um cheirinho de café, cheirinho de gente que a gente ama, briguinhas com o irmão pormenores, rotinas. E meus olhos se enchem d'água. Como é triste perceber que para crescer é preciso abandonar tanta coisa. Abandonei um bocado de coisas e me abandonei um pouquinho também, já disse que mudei, né não?! Para ganhar o mundo é preciso abdicar de algumas coisas. E a vontade foi minha. Virei um monte de capítulos de um livro - que pensava já estar traçado do início ao fim - e entrei num ônibus e depois num avião e voei. Algumas horas penso se fiz a melhor escolha. E essas são as horas dos choros sem fim, do excesso de fragilidade, da carência de cuidado. Mas não há saída: fiz a melhor escolha, por mais que doa, por mais que todas as tentativas de melhorar se mostrem absurdamente inválidas no dia seguinte, por mais que eu ache que não tenho forças o suficiente. E tenho. O melhor de tudo é descobrir o poder de me superar, o poder de vencer meus medos. O melhor de tudo é saber que posso andar com as minhas próprias pernas sem medo que elas se quebrem. E acho que isso, pelo menos isso, é digno de admiração.
Obrigada palavras. Peço para que, por favor, não me abandonem mais.

quinta-feira

Hey!

Meu bem,
Que te dizer? Que quero relógios para ter mais tempo, ou para voltar no tempo, ou adiantar o tempo, ou parar no tempo? Que me sobram vírgulas e os pontos finais são tantos que viram reticências sem nunca um ponto final? Que um avião sobrevoou os céus agora a pouco e tudo me passou pela cabbeça, sobrevoou-me também? Que, de vez enquando, lembro-me do remoto com até um certo pesar? Das coisas que poderiam ser e não foram. Não! Relembrar não é acusar o passado. Relembro agora com carinho, o de sempre, ao pensar em quão grandes foram as contribuições que você trouxe. Trouxe com suas cartas, seu afeto, sua atenção. Eu sei que reapareço e sumo. E sei que sumo sempre que me dá na telha e volto, quando me dá na telha. Eu sei que sou um bocado "confusão" e é um porre, às vezes, aturar meus devaneios. Eu sei. E sei também que não há mal nenhum nisso. Somos apenas incomuns. E isso é bom, não é?! De forma incomum, porém comum para nós, venho de novo por meio de palavras te mostrarr que ainda sou grata e que serei sempre. E que ainda desejo, de forma ampla, todas as maravilhas que existem ao redor numa caixinha de música para você. Cheio de sons, cores, amores (que virão, passarão, ou não). E desejo enfim, porque meu tempo acaba, que não te falte tempo, que te sobre vida e que te transborde luz. Feliz aniversário.
Com um carinho demasiado sincero e, quiçá, eterno,
Maria.

'Prepare surpresas. Borde delicadezas no tecido às vezes áspero das horas. Reinaugure gestos de companheirismo. Mas, não deixe para depois. Depois é um tempo sempre duvidoso. Depois é distante daqui. Depois é sei lá.'

segunda-feira

Sentido

O sol se põe de um lado.
A lua quer aparecer, ali em cima.
Os passáros passam do norte para o sul. Ou do sul para o norte.
E deixo o Caio Fernando tentar explicar o inexplicável: "Tenho dias lindos, mesmo quietinhos".
Está tudo, tudo bem.
A felicidade não precisa de muito.
Só de um azul no céu, amarelo de sol.
E de paz. Ser feliz só depende da gente.
Para ser feliz só é preciso notar.

sábado

lado A

vi no blog da Gah, gostei :)
•Onde está seu celular?
Dentro da minha mochila, ou pelo menos deveria.
•E o amado?
Amado? Hã?
•Cor do cabelo?
A água e/ou o clima daqui deixam o meu cabelo verde.
•Sua mãe?
Em Jacarezinho.
•Seu pai?
Também.
Seu filho?
Ainda não, obrigada.
O que mais gosta de fazer?
Nunca gostei tanto de dormir. Eu responderia: Ler, mas não dá tempo direito.
O que você sonhou na noite passada?
Gostaria de me lembrar também.
Onde você está?
No meu quarto, sentada na cadeira vermelha.
Onde você gostaria de estar agora?
Em Jacarezinho, com os meus pais.
Onde você gostaria de estar daqui a seis anos?
Não consigo imaginar.
Onde você estava há seis anos?
Em casa.
Onde você estava na noite passada?
Exatamente onde estou agora.
O que você não é?
Sozinha.
O que você é?
Simpática :)
Objeto de desejo?
Não consigo pensar em nenhum, por enquanto.
O que vai comprar hoje?
Rá, nada.
Qual sua última compra?
Uma camiseta vermelha.
A última coisa que você fez?
Limpei meu quarto.
O que você está usando?
Uma regata laranja, um shorts de pijama rosa e verde.
Na TV?
Bobagens.
Seu cachorro?
Quero ter cinco deles quando for maior.
Seu computador?
Dando trabalho, como sempre.
Seu humor?
Não tem variado muito ultimamente.
Com saudades de alguém?
Todos os dias.
Seu carro?
Nem bicicleta.
Perfume que está usando?
Agora? Nenhum.
Última coisa que comeu?

Um pudim bem bom que teve na sobremesa do almoço.
Fome de quê?
De pão, mas tô com preguiça de descer para a colação.
Preguiça de?
Descer para a colação. De levantar daqui. De tudo.
Próxima coisa que pretende comprar?
Canetas.
Seu verão?
Foi ótimo, mas passou.
Ama alguém?
Sempre.
Quando foi a última vez que deu uma gargalhada?
Hoje de manhã.
Quando chorou pela última vez?
Não me lembro, foi por esses dias, e sei que era de saudade.
- agora não mais do blog da Gah:
Nome:
Maria Carolina
O que você está sentindo agora?
Saudade, cansaço e felicidade, lógico, porque a internet colabora muito comigo --'
Uma frase sábia:
Não ha nada a ser esperado, nem desesperado.
Que música está ouvindo agora?
Mistério do planeta - Novos Baianos.
Com quem está falando agora?

Com ninguém. Estou sozinha no quarto e o msn não entra.
Qual é o assunto?
próxima pergunta.
O que o sexo oposto tem que ser para ser perfeito pra você?

Que tenha "um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também."
Qual é o seu pior defeito?
Acreditar em tudo o que me dizem. Falar alto.
Qualidades?
Gosto de ouvir o que as pessoas tem a dizer.
Esportes?
Basquete.
Instrumentos que gosta?
Violino, baixo.
Livro preferido?
Os dragões não conhecem o paraíso. E a "insustentável leveza do ser", que estou terminando.
Casa ou apartamento?
Ca-sa!
Uma cidade:
O abençoado Rio de Janeiro. E Jacarezinho, pela saudade que me traz.
Uma saudade:
Jacarezinho, e tudo e todos que estão lá.
Um filme:
Hoje assisti "Moça com brinco de pérola" e até que achei legal
Beatles?

Ajuda dos universitários.
RBD?
E o que passou, calou.
Uma frase que combina com você agora:
"Dentro de cada pessoa tem um cantinho escondido decorado de saudade. Eu posso até mudar, mas onde quer que eu vá o meu cantinho há de ir"
Quem você queria abraçar agora?
Ah, queria ter braços suficientes para abraçar quem está longe.

O que fez hoje?

Curso de fotografia. Arrumei o quarto. E vou tomar um suco de laranja assim que sentir coragem de levantar daqui.
O que vai fazer amanhã?
Estudar.

sexta-feira

Bagunça

Distante distante, está esta garotinha
Ela está rezando para que algo aconteça com ela
Todo dia ela escreve palavras e mais palavras
Só pra expressar os pensamentos que ficam flutuando por dentro
E ela é forte quando os sonhos vem, porque eles
Levam ela, cobrem ela, eles estão todos sobre
A realidade que parece distante agora, mas não vá
Far Far - Yael Naim