terça-feira

Pra declarar minha saudade



Deborah;* diz:
hoje a gente sentou e tava faltando você :/

É nessas horas que ter que ir embora dói feito uma bofetada. Nessas horas a gente lembra de tudo e decide que esse tudo está aqui e dói, demais. Lá fora ameaça chover. Dentro de mim chove faz tempo. Mas a gente tem é que fingir que é forte, engolir as lágrimas e oferecer a outra face para a saudade bater.

domingo

sossega, sossega - o amor não é para o teu bico.

“Queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que eu escrevi.” Caio F.

quinta-feira

May you stay forever young.

Querida Gabriella,
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung
Há 17 anos o mundo brilha mais, nasceu você, estrela Gabriella. As palavras falham, desculpa. Você escapa sempre por entre os dedos, Gah, é tão leve. É realmente difícil falar de você. Eu abri essa página do blog achando que eu conseguiria te escrever coisas bonitas e que você ficaria feliz. Não há como desejar coisas à pessoas tão completas feito você. Desejo só que continue iluminando minha vida como tem feito por três anos. Você é muita verdade, uma verdade que dói às vezes, mas verdade é sempre bom! Gostaria de dizer que te admiro muito e também quero me desculpar por ser tão ausência de vez em quando. A cama elástica está embaixo do teu céu, com uma estrela mais brilhante e mais azul, com um copo de café e açúcar. Paro para desejar, ainda, a arte de amar, a cachaça no bar e bons ventos, sempre docinhos, feito você. "eu gosto tanto, mais tanto que se gostasse mais explodia"
Com toda essa simplicidade, venho te dizer Gabriella Perez de Souza, que quero que sejas o mais feliz que puder, sempre. E que não te ausentes de mim. Feliz aniversário.
Um abraço tão forte que faz a coluna quebrar, com muito carinho,
Maria.

Todo o amor do mundo ( e um pouco mais)

Mãe,
Palmas à criatura - criadora que me fez cria. Queria ter habilidades artísticas para te fazer um presente dos mais bonitos, não consigo. Consigo, ou pelo menos tento, por meio das minhas palavras tão pobres te dizer o quanto é bom ser tua prole. Não sei como foi quando, ainda no dia 19 de julho de 1994, você me recebeu nos braços pela primeira vez, mas sei que estava protegida. Protegida fui e sou pelas tuas asas, para sempre tão grandes. Moro dentro deste coração tão quentinho que é teu. Moras em mim e não sai. Você é um caramujo e eu fiz minha casa em você, não há quem me bote para outro canto. E eu ainda dou para perguntar o que seria de mim sem você, não há resposta, eu simplesmente não seria. Você é tudo e me permite ser um pouquinho de você. Os cabelos tão enrolados, o humor tão alterável. Acho que nunca consegui te dar um presente tangível, até porque não tenho - ainda - de onde tirar dinheiro. Seus presentes são sempre assim, eu me entregando em palavras, que são o melhor que eu posso fazer. Sempre, desde que a escrita me foi apresentada, com a letra um pouco quadrada e com erros ortográficos infinitos, eu escrevia com lágrimas nos olhos: "você é a melhor mãe do mundo, eu te amo muito". E ainda as lágrimas me escorrem quando penso nisso. Não sou um presente para você. Você é um presente pra mim. Desde que nasci, é por você e para você que procuro melhorar. Eu quero te orgulhar, mamãe. Desculpa pelo tom de voz alto, às vezes. Desculpa pela precariedade das palavras. É tudo com muito amor, talvez o maior amor que a criatura - ainda cria - pode ter. O amor é tanto que as palavras nem dizem muito. O amor é tanto que a palavras são desnecessárias. Feliz aniversário. Obrigada, em suma, por existir. Sou porque és.
Com muito respeito, admiração e amor,
Maria, sua filha.

sábado

Comigo

Querido,
Tosse, tosse, tosse. Algo engasgado de tal forma que tosse nenhuma arranca do lugar. Lágrimas nos olhos. Tento me levantar, tudo roda e quase caio. Pode ser que seja a pressão, para sempre tão baixa. Nada se move. As horas passam, os compromissos chegam, minha mãe não atende o telefone. Odeio precisar dessas caronas. Tosse, ainda. Tem um chocolate na geladeira, quer? Esse telefone aqui em minha frente, ninguém atende, ninguém responde. O telefone está mudo, cortaram? Não. Consigo. Disco lentamente, de novo, os números da minha mãe. "Mãe, vem me buscar, estou engasgada". Porra, que isso! Essa tosse que não passa. E você, como está? Engasgado também? Eu tinha prometido que não iria mais te escrever, mas essas cartas são a melhor saída pra me livrar das angústias. Eu quero ter tempo pra tudo e, no entanto, não encontro tempo sequer para respirar. Por quê? Não faço nenhum esporte, nenhum curso, nada. Dá onde vem essa falta de tempo? Preciso é comprar um relógio e um jornal. Vou desligar tudo e passar ali na esquina tomar um café amargo, naquele bar sujo com pessoas tropeçando nos próprios passos. Vou ver se consigo desengasgar vomitando todas essas coisas em você, essas verdades, essas saídas que não encontro. Passa devagar a mão sobre o meu cabelo, conta-me uma mentira qualquer, uma história.
Cem gramas, sem dramas, um beijo,
Maria.

quinta-feira

Corro demais só pra te ver, meu bem

A solidão é meu cigarro
Não sei de nada e não sou de ninguém
Eu entro no meu carro e corro
Corro demais só pra te ver, meu bem

Um vinho, um travo amargo e morro
Eu sigo só porque é o que me convém
Minha canção é meu socorro
Se o mar virar sertão, o que é que tem?

Dias vão, dias vêm, uns em vão, outros nem
Quem saberá a cura do meu coração se não eu?
Não creio em santos e poetas
Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu
Melhor é dar razão a quem perdoa
Melhor é dar perdão a quem perdeu

O amor é pedra no abismo
A meio-passo entre o mal e o bem
Com meus botões à noite cismo
Pra que os trilhos, se não passa o trem?

Os mortos sabem mais que os vivos
Sabem o gosto que a morte tem
Pra rir tem todos os motivos
Os seus segredos vão contar a quem?

Dias vão, dias vêm, uns em vão, outros nem
Quem saberá a cura do meu coração se não eu?
Não creio em santos e poetas
Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu
Melhor é dar razão a quem perdoa
Melhor é dar perdão a quem perdeu

Não creio em santos e poetas
Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu
Melhor é dar razão a quem perdoa
Melhor é dar perdão a quem perdeu.
Zeca Baleiro

terça-feira

Crime perfeito.

Era um vez...
Não, não era uma vez, ainda é. O coração ainda acelera e eu ainda não consigo falar de nada que não seja amor. Amor saindo pelos poros e disparando corações já tão cansados e velhos e abatidos. Eu poderia correr para sempre e para tão longe quanto nem você e nem eu pudéssemos me ver. Mas não é permitido. Tenho que ficar aqui e sentir dia após dia a casca da ferida sendo tirada na unha, ferindo sem anestesia, sangrando, morrendo. E depois, mais uma vez, você surge e me embala num abraço. Morde para depois soprar, sua tática infalível. Infalível porque você já sabe que eu sempre te aceito, que eu sempre te permito, que não consigo vencer essa batalha diária contra mim mesma e todo esse baralho de sentimentos aqui dentro. Bem aqui, olha. Aqui do lado esquerdo do corpo, no ponto máximo, no grande senhor soberano que bombeia o sangue e, assim, permite a vida. Aqui no coração. Ainda velho cansado e velho e abatido e sempre a mercê dos seus crimes perfeitos.