segunda-feira
Sentido
A lua quer aparecer, ali em cima.
Os passáros passam do norte para o sul. Ou do sul para o norte.
E deixo o Caio Fernando tentar explicar o inexplicável: "Tenho dias lindos, mesmo quietinhos".
Está tudo, tudo bem.
A felicidade não precisa de muito.
Só de um azul no céu, amarelo de sol.
E de paz. Ser feliz só depende da gente.
Para ser feliz só é preciso notar.
sábado
lado A
•Onde está seu celular?
Dentro da minha mochila, ou pelo menos deveria.
•E o amado?
Amado? Hã?
•Cor do cabelo?
A água e/ou o clima daqui deixam o meu cabelo verde.
•Sua mãe?
Em Jacarezinho.
•Seu pai?
Também.
•Seu filho?
Ainda não, obrigada.
•O que mais gosta de fazer?
Nunca gostei tanto de dormir. Eu responderia: Ler, mas não dá tempo direito.
•O que você sonhou na noite passada?
Gostaria de me lembrar também.
•Onde você está?
No meu quarto, sentada na cadeira vermelha.
•Onde você gostaria de estar agora?
Em Jacarezinho, com os meus pais.
•Onde você gostaria de estar daqui a seis anos?
Não consigo imaginar.
•Onde você estava há seis anos?
Em casa.
•Onde você estava na noite passada?
Exatamente onde estou agora.
•O que você não é?
Sozinha.
•O que você é?
Simpática :)
•Objeto de desejo?
Não consigo pensar em nenhum, por enquanto.
•O que vai comprar hoje?
Rá, nada.
•Qual sua última compra?
Uma camiseta vermelha.
•A última coisa que você fez?
Limpei meu quarto.
•O que você está usando?
Uma regata laranja, um shorts de pijama rosa e verde.
•Na TV?
Bobagens.
•Seu cachorro?
Quero ter cinco deles quando for maior.
•Seu computador?
Dando trabalho, como sempre.
•Seu humor?
Não tem variado muito ultimamente.
•Com saudades de alguém?
Todos os dias.
•Seu carro?
Nem bicicleta.
•Perfume que está usando?
Agora? Nenhum.
•Última coisa que comeu?
Um pudim bem bom que teve na sobremesa do almoço.
•Fome de quê?
De pão, mas tô com preguiça de descer para a colação.
•Preguiça de?
Descer para a colação. De levantar daqui. De tudo.
Próxima coisa que pretende comprar?
Canetas.
•Seu verão?
Foi ótimo, mas passou.
•Ama alguém?
Sempre.
•Quando foi a última vez que deu uma gargalhada?
Hoje de manhã.
•Quando chorou pela última vez?
Não me lembro, foi por esses dias, e sei que era de saudade.
- agora não mais do blog da Gah:
Nome:
Maria Carolina
O que você está sentindo agora?
Saudade, cansaço e felicidade, lógico, porque a internet colabora muito comigo --'
Uma frase sábia:
Não ha nada a ser esperado, nem desesperado.
Que música está ouvindo agora?
Mistério do planeta - Novos Baianos.
Com quem está falando agora?
Com ninguém. Estou sozinha no quarto e o msn não entra.
Qual é o assunto?
próxima pergunta.
O que o sexo oposto tem que ser para ser perfeito pra você?
Que tenha "um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também."
Qual é o seu pior defeito?
Acreditar em tudo o que me dizem. Falar alto.
Qualidades?
Gosto de ouvir o que as pessoas tem a dizer.
Esportes?
Basquete.
Instrumentos que gosta?
Violino, baixo.
Livro preferido?
Os dragões não conhecem o paraíso. E a "insustentável leveza do ser", que estou terminando.
Casa ou apartamento?
Ca-sa!
Uma cidade:
O abençoado Rio de Janeiro. E Jacarezinho, pela saudade que me traz.
Uma saudade:
Jacarezinho, e tudo e todos que estão lá.
Um filme:
Hoje assisti "Moça com brinco de pérola" e até que achei legal
Beatles?
Ajuda dos universitários.
RBD?
E o que passou, calou.
Uma frase que combina com você agora:
"Dentro de cada pessoa tem um cantinho escondido decorado de saudade. Eu posso até mudar, mas onde quer que eu vá o meu cantinho há de ir"
Quem você queria abraçar agora?
Ah, queria ter braços suficientes para abraçar quem está longe.
O que fez hoje?
Curso de fotografia. Arrumei o quarto. E vou tomar um suco de laranja assim que sentir coragem de levantar daqui.
O que vai fazer amanhã?
Estudar.
sexta-feira
Bagunça
Ela está rezando para que algo aconteça com ela
Todo dia ela escreve palavras e mais palavras
Só pra expressar os pensamentos que ficam flutuando por dentro
E ela é forte quando os sonhos vem, porque eles
Levam ela, cobrem ela, eles estão todos sobre
A realidade que parece distante agora, mas não vá
Far Far - Yael Naim
quarta-feira
Pianos, chás, imortais
"Devoro um chocolate. A garganta arde um pouco. O coração arde um pouco. Escrevi "felicidade" em letras grandes no teto do meu quarto, da minha vida, nas paredes, nos pedaços ocultos. A felicidade me invadiu, me tomou, sentou na minha mão. Acho até que veio morar comigo. Nem bater nas portas, bateu. Felicidade não é o oposto de tristeza não, jovem. Felicidade e tristeza andam assim, oh: juntinhas. De mãos dadas. A tristeza anda um pouquinho mais atrás, mas a felicidade a puxa. Andam as duas, de um lado pulando, d'outro com a cabeça um pouco baixa. Certo, você está certo, muita gente não vai concordar comigo, mas de que importa? Hoje mesmo discordaram e eu chorei um pouquinho, só um pouquinho. Não por terem discordado de mim, mas por não terem me deixado falar. Eu quero falar, por favor, deixa só um pouquinho? Eu não peço muito não, senhor. Só quero é contar para você e para o mundo que hoje eu escrevi felicidade nas paredes do quarto enquanto comia um chocolate. E que eu só escrevi porque ela gritava em mim mais forte que a tristeza, naquela hora. Mas depois a tristeza veio gritando e me mandando "abaixar a guarda" que aqui eu não tinha com quem comemorar a felicidade. Eu fiquei quietinha e tristinha. Quer saber, estou é bem agora. E sabe, tudo porque uma luz - que não era a do fim do túnel, até porque os caminhos são abertos, túneis me agonizam - me iluminou. Sempre ilumina. Eu caminho também, de mãos dadas com a felicidade e com a tristeza. Ando pelos caminhos que eu quero andar, elas vão comigo. Não vou sozinha não, não ando sozinha. Cazuza um dia disse, e eu repito: agora eu ando muito bem acompanhado."
Fechei o livro.
PS: foi tudo para dizer que, caramba, segunda-feira eu conhecerei a Academia Brasileira de Letras. Os sonhos se realizam, enfim.
segunda-feira
Telhado
Há tempos não escrevo.Há tempos não sento aqui na frente desta máquina de escrever para te contar. As cartas não chegam, os telefonemas nem existem. É a correria, querido, é a correria. O tempo corre, escorre pelas mãos, o tempo voa longe. O tempo nem existe. Acho que tenho sono. Acho - ou melhor, tenho certeza - que sinto saudades. De você, de todos, da minha vida. Sinto falta de mim, estranho não é?! Pode parecer até ruim, mas eu ando me sentindo muito feliz. Muito feliz, ao pé da letra. Com tudo o que ser feliz implica, te digo: estou! As pessoas fazem votos de fidelidade o tempo todo, e eu?! Eu paro e observo Saturno e todos os seus anéis. Sabe, vi Saturno e me lembrei de você, dos nossos dias. Gosto de pensar, de me lembrar de você. Sinto um amor tão imenso, uma saudade tão forte. Conto de você aqui, falo, não invento, mas parece invenção. Eu nunca fantasio quando falo de você. Se conto de momentos felizes, me sinto super feliz. Se conto de momentos tristes falo mesmo mal de você, sujo o seu nome, em nome do nosso amor. Eu te amo tanto, tanto... é melancólico, piegas. Mas chega um pouco para lá que esse espaço no coração dói um pouco. É uma ferida recente, demora a cicatrizar, nada de instantâneo. Nem mesmo macarrão. Macarrão este que para e me encara frente a frente, não tenho água quente, o que eu faço? O horário do jantar passou, os horários sempre passam. As horas passam e, veja, estou já tem mais de meia hora te escrevendo. Minhas mãos doem, acho que é melhor parar por aqui. Parece que vai chover... gosto de chuvas, as lembranças me ocorrem e passam a mil pela minha cabeça, enfim... repito baixinho o que passou calou, o que virá dirá e o passado se cala. E o futuro se abre, talvez, rápido demais frente à retina.
Com carinho, afeto e saudade (em conta-gotas, para doer menos),
Sua.
quarta-feira
Que seja doce...
quinta-feira
E do que não escrevi, mas vivi e vivo e viverei.
Meu caro,
Ao som de Sweet Child of Mine (que não na voz do Axel, mas na voz de Silvia Machete, doce) venho te escrever. Tive uma súbita lembrança sua e me motivei a agora, menos de duas semanas para minha viagem, te dizer algumas das coisas – porque se torna impossível dizer todas – que você precisa ou não saber. Talvez hoje creio que não precise. Talvez.
Eu não me lembro como a gente se conheceu e nem como seu amor chegou aos meus ouvidos. Não me lembro qual foi, ao certo, o conteúdo da sua primeira carta endereçada a mim. Mas me lembro do bocado de carinho, de afeto. Nem quando namorei me senti tão querida. Era maravilhoso pegar tuas cartinhas e lê-las e me deliciar, para depois correr e esconde-las de minha mãe. Ela nunca as achou. Eu ainda sei onde a maioria delas está. A maioria, porque umas tantas eu rasgava quando você dizia não gostar mais de mim. Dou risada ao lembrar do quanto eu era boba. Era boba, mas demasiadamente sincera, assim como procuro ser agora. Sincera, sem fantasiar, sem iludir (a ti e a mim). O tempo foi passando e eu procurando me dedicar a coisas que não você. Eu pensava que era muito nova, e eu era. Ainda sou, na verdade. Ainda sou aquela mesma menininha. E se hoje você me mandasse cartas, eu reagiria da mesma forma, primeiro as segurava com força, depois as lia e por último as escondia até mesmo dos meus pensamentos. Era assim que eu guardava e guardo seu carinho, escondido de mim mesma, porque sei que não o mereço. Fui e sou injusta com o seu coração. Fui e sou, ainda, uma grande criança na matéria “sentimentos” e, você pode não saber, mas eu quase sempre quebro a cara. Eu gosto de me apaixonar, eu gosto de poder me apaixonar, mas o grande erro é me apaixonar só pelos que desmerecem e desdenham meu amor. Eu sempre me pergunto por que não pude escolher você. Acho que a gente daria certo. Você é carinhoso, do jeitinho que eu gosto, sem dosagens. Eu sou louca, imatura, insensata e que muda de opinião de cinco em cinco minutos. Eu já escrevi milhares de outras cartas para outras pessoas, mas, te juro, nenhuma me dói mais que essa. Dói porque eu não soube aproveitar as oportunidades que você e a vida me deram. Eu não soube e nem quis. Eu virei as costas para todas as coisas que poderiam me fazer feliz enquanto eu insistia sofrer por aqueles que só faziam com que eu sentisse um peso ainda maior das minhas atitudes erradas. Eu errei o tempo todo. Eu poderia culpar o tempo, eu poderia culpar os outros meninos, eu poderia te culpar, mas sei que a culpa só pertence a um alguém e este alguém sou eu. Eu sei que você vai dizer que a culpa não é minha. Sei também que você vai se culpar. Sei que ainda depois de tudo isso você vai me encher de elogios. Você é uma pessoa muito boa, mesmo. Um pouco adolescente, mas bom. Tem espaço de sobra no teu coração para mim e toda a minha bagunça, a minha loucura, a minha ebulição. Acho que não consegui me encontrar em você justamente porque você era quem me cabia. Se você fosse um outro que já passou pela minha vida eu iria gostar de você. Que bom que você não é, assim eu posso saber que você honraria meus sentimentos. Sabe, meu ex-namorado acabou de vir aqui em casa, a gente se viu e o telefone tocou, menos de dez minutos e ele teve que ir embora, ele tem um milhão e meio de afazeres e não consegue dedicar nem dez minutos mais do tempo dele a mim. Ninguém consegue dedicar mais tempo a mim. Só você. Eu sei que mesmo que você não me diga, você está se importando comigo, rezando por mim e, o melhor de tudo, está querendo o meu bem. Eu queria ser uma pessoa boa e pura, feito você. É uma pena que eu só tenha percebido que os outros rapazes valiam menos agora – é claro, não os desmerecendo, eu não faço o tipo que cospe no prato que se farta, e os outros rapazes, por mais que cheios de maluquices e molequices têm suas qualidades – é uma pena perceber que as coisas poderiam ter sido diferentes. Não foram porque eu não quis e agora é tarde para chorar. Chorar não solucionaria nada. É tarde também para me lamentar, o tempo não volta e não é mais cedo. Ou é cedo e eu não sei. As coisas estão escuras e turvas, eu estou chorando e gostaria que você pudesse agora passar as mãos nos meus cabelos e me dizer que não é assim. Você nunca me pediu nada em troca, você me amou tanto. Você se desproveu de desejos, você foi diferente, você é. Eu espero que você encontre uma outra menina capaz de fazer de você um cara feliz. Que vocês consigam construir o que eu só fiz por quebrar. É difícil falar isso, eu não consigo imaginar você fazendo a outra menina o que você me faz. Não consigo ver esse bem todo depositado a outra pessoa, por mais que essa pessoa mereça mais que eu. Eu sinto um ciúme egoísta. Eu não queria ficar próxima de você, tinha medo de conseguirmos nos liberar para o amor e eu, depois, te fizesse sofrer. Desde o inicio esse foi meu grande medo. O seu sofrimento me assombrando. O meu medo me limitando. Você me fazendo bem e não me querendo carnalmente. O nosso “amor” é tão espiritual que dói de tão bom. O nosso “amor” é diferente do amor dos outros porque a gente não precisa estar junto pra saber que isso existe. O nosso “amor” eu nunca escrevi. Essa é a primeira vez que eu te escrevo com a convicção de não querer errar, é a primeira vez que te escrevo depois de tantas cartas de criança. Eu não quero errar e por isso te digo tudo, porque seria um erro também se eu fosse embora sem te permitir saber das minhas verdades e dos meus motivos. Acho que este é o fim da carta. Esta é a sua carta de despedida. Este é o nosso segredo eterno. Esta é a minha visão de tudo o que a gente viveu. Isto aqui, estas linhas aqui, somos nós. Perdoa se ficou piegas. Perdoa se ficou choroso. Perdoa os erros passados. Cuida-te bem. Que Deus te proteja. Que o bem que você faz ao mundo possa voltar a você. E que um dia a gente possa voltar a se encontrar, quando eu e você estivermos preparados para esse amor. E se esse amor não mais existir, que a gente se reencontre só pelo prazer do reencontro. Que não te caiam lágrimas – ao menos que sejam de felicidades. Isso é o que eu queria ter coragem de te dizer – mas sou melhor com a escrita, por isso recorri a ela. Não precisa responder se não quiser. Não precisa lembrar disso depois que ler se não quiser. Faça o que quiser fazer. Ande pelos caminhos que quiser andar. E sinta-se abraçado pelo abraço que eu queria te dar, mas que nunca foi possível. Perdoa a minha limitação humana. Saiba que eu amei você, mas amei do modo errado, pelos avessos, esse é o meu jeito – por mais errado que seja – de tentar encontrar algo certo.
Abraços carinhosos e sinceros,
Maria.
PS:" E se não vier, para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo."