sábado

Por você, tango no teto.


"Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não"
Dezessete já? O tempo passou, correu, voou, não é? As coisas que a gente é deve-se, em partes, à convivência com pessoas. Parte do que eu sou hoje, sem dúvida nenhuma, é muito você. E nada que eu te disser hoje vai ser único, eu mesma já devo ter te dito isso tudo várias vezes, mas talvez de formas diferentes, peço perdão por ser tão precária com as palavras...
Aprendi tanto, cresci tanto, mas agora eu tenho que ir. Eu tentei, ao máximo, cuidar de você, te proteger, mesmo que você não precisasse disso tudo. Você é tão auto-suficiente, e do lado de cá tem tanta admiração por você, mas tanta, tanta...
Parabéns Caio, não apenas por fazer aniversário hoje, mas por ser tão você, sempre você. Na medida exata, sem transbordar ou faltar. Obrigada por me ensinar tantas coisas, por me ensinar a ser menos pessimista e perceber que um copo pela metade não é um copo meio vazio, mas um copo meio cheio.
Um dia, se tudo der certo, eu serei ao menos um quarto do que você é, irmão. Seu sorriso "derrete satélites e corações gelados". E te amo, ainda e sempre mais.

PS: E, é claro, feliz aniversário!

sexta-feira

sete seis cinco quatro três dois um.

E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse. Disseste de repente que precisavas ter os pés na terra, porque se começasses a voar como eu todas as coisas estariam perdidas.(...) Mas eu te ouvia dizer que sabias ser necessário optar entre mim e ela, e que optarias por ela, por comodidade, para não te mexeres daquele canto um pouco escuro e um pouco estreito, mas teu - e que optarias por ficar comigo porque a minha loucura te encantaria e te distrairia, embora precisasses te agitar e negar e ouvir e sobretudo compreender novamente tudo todos os dias. E disseste que optavas por mim. Eu já sabia. Por isso não te disse que comigo seria mais difícil do que com ela. Porque sabias também que em todos os de repentes eu estaria abrindo as asas sobre um desconhecido talvez intangível para ti. (...) ainda que nos salvássemos ou nos perdêssemos por qualquer coisa que certamente não valeria a pena. Nem era preciso dizer que não era preciso dizer: eu era o teu lado esquerdo e tu eras o meu lado direito(...) nos encontramos no espaço cósmicos entre nossos dois planetas, e de repente disseste que precisavas sair para tomar um pico e eu disse que precisava sair contigo e comecei a pular em cima da cama e achei bom que fôssemos passear com chuva e eu não ficasse esperando o telefonema que não viria e a campanhia que não tocaria e os astronautas que não voltariam a seu módulo sem nos esgotar inteiramente e a batalha que nos recusávamos a travar com eles e unimos nossas duas órbitas e deixamos os outros habitantes e visitantes espantados com a nossa retirada e nossa decisão e nossa contagem sete seis cinco quatro três dois um.
O dia de ontem - Caio Fernando Abreu.

Tolices

Querido,
I used to care but - things have changed.
No vai e vem das horas, eu me encontro de novo sentada aqui, frente a esta máquina de escrever, falando bobagens para encontrar você. Mas por hoje, só por hoje, eu gostaria de falar de mim, será que ainda posso?
Mexo e remexo nos meus cabelos, penso e repenso nas decisões, mas quais decisões? O ano começa hoje, não há decisões a serem pensadas. Para que se preocupar? Você me diria hoje, com uma voz quase calma, quase nervosa, quase. Sempre quase. E eu aqui, ainda parada. Não sei por onde começar. Quase dormindo. E você neste ano ainda finge que me escuta, eu não finjo mais. Acho que conforme o tempo passa - e nos engole, eu diria - a gente muda, a gente para tanto de se importar, ou de fingir que se importa. Eu não me importo com mais nada, nem com você, nem comigo, nem com a árvore que, na praça logo em frente, suspeita cair. Que caia, não é? Que esmague todos, que comecem tudo de novo.
Começar de novo me assusta tanto, por Deus, como me assusta. Eu estou tão confusa hoje. Quero e não quero falar de você, quero e não quero te manter a par da situação, quero e não quero que o dia de hoje acabe e que amanhã chegue. Amanhã, amanhã meu irmão faz aniversário, se lembra? Eu sempre te perguntando sobre essas suas lembranças, mas é que lembrança é uma coisa que me importa tanto... o que te importa?
Esse gosto de nada, esse amargo de nada. Amargo, salgado, doce, já não sei. Tudo confuso, tudo roda. Ontem os fogos de artifício foram lindos, dizem, mas eu mesma não os vi. Tentei, em vão, fotografá-los, mas era como se fugissem de mim. Mais um ano se acabou e eu nem ao menos sei o que aprendi. Quero aprender. Como naquela música que diz lentamente quero viver quero ouvir quero ver. E vou navegar, mais uma vez, por esse mar remoto, e você, mais uma vez, não vai me acompanhar, mas quem não quer, desta vez, sou eu!
Um grande abraço, daquela que não é mais sua.
Da minha,
Maria.

quarta-feira

No meio de tanta água, eu fui minha própria ilha

Para quem pensava que só São Paulo alagava, estamos aí. Jacarezinho mostrando que não sabe nadar (foi um trocadilho ruim demais, eu sei).
Acho que a água levou minha criatividade também.

sábado

Intensidade.

Querido,
E aquele agora ou nunca ficou pra trás.
É bom arrancar as páginas do calendário. Janeiro, fevereiro, março, o tempo passa e demorou, mas agosto chegou. Estamos em dezembro, Natal foi ontem, e daqui quatro dias... acabou. Tantos desencontros em nossas vidas este ano, não é? Não procuramos simetria alguma. As coisas não deram muito certo, mas as roseiras cresceram, a nossa casa é tão amarela, de esperança, se lembra? Não sei se posso te perguntar sobre as lembranças. Você tem esquecido de tudo e é tão frequente. Mas se paro e penso, vejo que você não se esqueceu, as coisas simplesmente não aconteceram e eu fantasiei. Não existe casa amarela, não existem roseiras. Eu li tudo isso numa história um dia. Eu continuo a contar nossa história, meu caro, para quem quiser ouvir. Ontem, eu estava sentada num banco da praça esperando alguma hora chegar, de longe vi uma menina apressada, como se olhasse no relógio as horas e seguia um coelho. Seu país das maravilhas me enguliu. Tudo era tão mágico, e ainda Natal. Tudo era tão belo. Eu tive que voltar. Entrei para casa, tomei um chá, o telefone toca, mas não é você. O telefone toca, mas não é para mim. O telefone toca e eu não atendo. Barulho de telefone me causa desconforto, mas rapidamente parou de tocar. Quem quer que havia ligado, desistiu rápido demais. Eu disse que não era você, mas não tenho certeza. Talvez eu nem estava lá. Tudo isso está ficando confuso demais para você? Desculpa, eu sou sempre assim, quero descrever tudo e depois não tenho certeza se era verdade ou mentira. Eu crio muito, invento muito. Sentei na cama e comecei a desenhar. Desenhei uma árvore, a única coisa que veio em minha cabeça. Só consegui desenhar uma árvore, todo o resto parecia inexistente, impossível de ser desenhado. Então chorei, porque detesto me ver impedida de fazer algo, por isso choro tanto quando penso nas medidas do meu amor por você. Mas acho que nem chorar choro mais. O ano está acabando. As pessoas chamam de ano novo o próximo que virá. Eu prefiro acreditar que, no ano que se aproxima, eu esteja renovada e então, enfim, livre de você e de todas as correntes imaginárias que nos unem. Acho que gostar assim de você se deve justamente a impossibilidade, ao impedimento deste sentimento. Mas as coisas estão mudando. Minhas palavras estão ficando pobres, temo que esta seja nossa última carta. Ú-l-t-i-m-a, talvez por isso deveria ser rica de palavras e deveria te arrancar lágrimas assim que você terminar de ler. Entretanto, não consigo nada melhor que isso. Como quando desenhei a árvore. Não consigo ultrapassar esse ponto. Me desculpa, mas assim que o ano acabar, eu terei de partir. Talvez para o reino das maravilhas com a menina apressada e seu coelho, talvez para qualquer outro lugar. Mas quando eu voltar, como naquela música, vou te dizer que as opções ainda estão aqui, só que isso demora, isso vai demorar, e te peço para que não me espere. Permita-se, apenas.
Não pule ondas, não coma uvas, nem passe a virada do ano com uma peça íntima vermelha para atrair o amor. Superstições não funcionam não. E o amor só se sente atraído no momento certo.
Feliz próximo ano, feliz pessoa nova que você, se quiser, irá se tornar. Por favor, se quiser esquecer, esqueça, mas eu te amo muito, e ainda daquela forma pura, que nada em troca pede.
Um abraço apertado, com cheiro de alecrim e fogos de artifício no seu céu, meu céu!
Com carinho e lágrimas, da quase nova,
Maria.

PS: termino o ano sem querer voltar atrás em nada. E você? Tem feito as escolhas certas?

quarta-feira

Adeus ano velho.

Enfim... feliz natal, leitores (se é que há), que seja abençoado, iluminado e farto. E 2010? Que venham fogos de artifício, num ano novo diferente do que eu queria. Que 2010 seja tão bom quando 2009 e que eu me acostume com a distância. Que vocês, possíveis leitores, se adaptem e que o melhor da vida caminhe ao lado de vocês. E que quando eu te encontrar, depois de tanto tempo, nossos olhos ainda brilhem e os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você. E vai dar tudo certo, e 2010 vai chegar gritando coisas boas aos ventos. Só nos resta esperar.

domingo

Retrospectiva 2009

2009 acabou. O que concluir? O que aprendi? O quanto errei?
Este ano foi, sem dúvida, muito produtivo e atípico. Tanta coisa aconteceu, e foi tão diferente. Começou o ano, colégio novo, amigos novos, amores novos, vontades novas. Tudo novo, o ano já começou com uma nova Maria, mais disposta a vencer, mais disposta a não deixar ninguém passar por cima dela. Era assim que havia de ser, armada até os dentes com as armas de Jorge, como diria Caio. Firme, decidida, posicionada, nova. E os dias foram seguindo, e os amores massacrando, consumindo. Telefonemas mais longos, estudos mais longos. Choros entalados na garganta. Avalanches de choros durante a noite, sozinha. Sempre tentando ser forte em frente aos outros. Engulindo sapo, e como enguliu sapo. E os amores, de novo, massacrando e consumindo. Por que, raios, ter tantos amores intensos assim, Maria? Ok, o tempo continuou passando. Mais amigos se apresentando, mais gente se distanciando. E você rezando para conseguir atravessar agosto, conseguiu. Fez a prova que tanto precisava. Desacreditou. Resultado da primeira fase: Aprovada. Segunda fase chegando. Nenhum nervo. Uma maquete do Canyon para fazer. Depois um seminário, depois um folder. "Aula dada, aula estudada hoje!". Ah, eram tantas coisas e você pensando que não daria conta de nada. Deu. O tempo passando. Segunda fase chegou, fez, desacreditou. Pediu para novembro chegar de mansinho. Chegou. Resultado da segunda fase: Aprovada. Mudar o rumo da vida, acabar as preocupações e curtir. Curtir, o verbo da vez. Abraçou o mundo, enlaçou a paixão e beijou as nuvens do céu. Pós-festa: ressaca. Quantas ressacas aguentam um ano? Aniversário de 15 anos para cá, para lá. Acabou. Festinhas aqui, ali. Acabou. Parque de diversões. Medo. Tombo de cara no chão. Dor. Suicídio de um cara que se esqueceu do cheiro das flores. Susto, tristeza. Provas. Obstáculos. Queimada na educação física, física, dicionários de inglês. Textos. Textos. Sonhos. Choros. Amores secretos. Chuvas finas com direito ao banho de lavar a alma. Tempestades. Sol. Dar importância ao sol. Também dar importância aos dias nublados. Tentativas. Impor respeito. Sorrir. Van do tio Baccon. Lugar guardado na van. Peças de teatro. Ah, mais uma dose de 2009, por favor!