sexta-feira

Escapar por entre nossos dedos

Nós procuramos tanto uma boa oportunidade para falar que acabamos deixando, deixando, deixando, as coisas se passando, pronto. Não existe mais oportunidade.
Mas mulheres, me digam: Por que é que, raios, não podemos falar quando estamos interessadas? Pois é, minhas caras, esse bruta feminismo é terrível e acaba estragando uma série de oportunidades (digo por experiência própria). Não adianta bancar a distante nem a que faz pouco caso, em alguns momentos temos que tomar a iniciativa, talvez para defender nosso próprio instinto natural.
A verdade é que muitos garotos (o que anda fazendo meu coração pulsar ultimamente, por exemplo) não conseguem tomar atitudes por si só, talvez por timidez ou, quem sabe, por orgulho. Estou num tremendo "mato sem cachorro", numa dúvida cruel entre o dizer e o não dizer. To be or not to be, eis a questão.
O que eu mais temo é deixar passar as oportunidades sem me mover, deixar a minha vida acontecer sem mim (foi mais ou menos nisso que eu pensei quando dei o primeiro beijo) e quando for ver bem tudo já ter acabado.
Então, já vou avisando, estou vestindo minhas armaduras e estou indo para a batalha do amor com todas as armas carregadas e com, principalmente, otimismo .

Sexta - feira santa.

As pessoas julgam muito, fato. Dizem o que é pecado, o que deixa de ser, e principalmente o que Deus não gosta. De uns tempos pra cá eu venho adotando uma nova versão para os fatos. Eu já passei pela fase de coroinha da igreja, pela fase de "não sei em que acreditar", e agora estou nesta fase de acreditar no meu Deus e acreditar que sem Ele, poucas coisas fazem sentido, respirar, por exemplo. Sou católica sim, batizada sim e praticante às vezes, mas se eu for pensar bem, para mim, a imagem que eles passam de Deus se distorce.
Como se Deus me castigasse por não ir na igreja aos domingos, o por falar um bocado de palavrões. Eu sei, ele não vai gostar que eu seja uma rebelde desligada de tudo. Atualmente o Deus que eu acredito é o meu Deus, não aquele que as igrejas dizem e desdizem o tempo todo. Acho que cada pessoa tem seu Deus, independente de religião. Na verdade, é um mesmo Deus para todas as pessoas, mas muda conforme muda a situação, compreende?
O caso que hoje eu pensei duas vezes antes de ligar minhas músicas, porque as pessoas insistem em dizer que no dia em Jesus morreu você tem que estar triste. Eu não, não estou nem um pouco triste, afinal, Ele ressuscitou também não? Então, ficar triste por quê? Então, liguei o rádio numa música bem boa e vim aqui escrever um pouco esses pensamentos confusos, e agora eu, como uma pessoa muito ocupada, estou indo até a padaria.
Boa sexta-feira santa para todos, sem punições, um excelente sábado e, é claro, um maravilhoso domingo de páscoa.
"Me envergonha um pouco escrever tantas frases pobres
Vai que alguém me descobre por aqui"
Desisto. Vou ser "mais decidida e menos amorosa", desisto desta história de coração na frente da razão, desisto. Tudo isso é pura fantasia de criar na cabeça e eu posso muito bem viver sem. Eu estou cansada de parar enquanto todo mundo anda, as pessoas cansam, é mais que natural. Vou andando e vou deixando outra pessoa para trás, por que não é assim que se deve fazer? "Estou cansada de construir e demolir fantasias". Infelizmente eu não nasci para o amor.

Post melancólico, eu sei, eu sei. Mas ninguém lê isso mesmo.

Meu querido amor

Nunca escrevi diretamente para você. Sempre havia uma destinatária em seu lugar. Eu abreviava o caminho, não sei se recebeu alguma notícia minha desde a adolescência ou se as cartas nunca passaram pela poça de seu sopro. Hoje coloquei meu blusão verde bordado 38. O prazer da gola coçando a barba me animou – sou movido ao tato. É dia de inverno, próprio para sentar com uma cadeira dobrável no pátio e expor o rosto à enxaqueca do sol. Não me importa que seja obrigado a tomar uma aspirina depois. Dependo de sua claridade inconsolável.

Desculpa, Amor, você não tem nada a ver com o nosso destino. Nós terminamos antes que você termine. É assim. Desistimos enquanto você prossegue. E apenas você, Amor, que irá até o fim, onde deveríamos acompanhá-lo, você vai até a nossa velhice: as mãos concedidas debaixo dos lençóis. Nós ficaremos na meia-idade, os braços pedindo um táxi. Nós o negaremos secretamente, apesar das pontadas violentas e da saudade dolorida. Negaremos inclusive que o conhecemos, que você é nosso encontro. Seus traços serão coincidências, nunca a soma óbvia dos nossos perfis e lápis de cera.

Nossas dúvidas escondem você. Porque é necessário confiar naquilo que ainda não sabemos. E queremos saber tudo antes mesmo de ter vivido. Nosso nervosismo não tem tranqüilidade para aceitá-lo.

Você tem paciência; nós, tempo. Sei que você não se fez sozinho, não posso escrever em seu lugar, você não é o que confio, é o que confio mais o que confia quem eu amo. E quem eu amo não poderá falar por você igualmente. O amor está entre duas conversas, duas ânsias, dois passados. Não é o desejo da direita, nem o da esquerda. É o que está entre os dois. Flutuando.

O amor é se despertencer. É sentir para passar adiante, não é sentir para ficar com aquilo. É não suportar sentir mais sozinho. Eu me desacostumei com a minha solidão.

Pela pressa de ter o amor só nosso, só nosso, somos capazes de destruí-lo com palavras. Não temos nada para odiar naquela pessoa. Estávamos agradecidos pelo espanto provocado pela sua chegada. Irreconhecíveis pela felicidade que nos fazia imaginar em dobro. Na noite anterior, éramos a vontade desesperada de entender. No dia seguinte, nenhuma vontade de compreensão. Não há persistência, há precipitação.

Mentir para uma pessoa não é tão grave quanto mentir para você, Amor. Mas os casais mentem que você foi um engano, um engodo, uma mentira. Chegam a dizer que você não existiu. Você fica perdido entre as defesas e ataques de ateus, céticos, agnósticos, crentes.

Somos fracos e desabafamos o que não acreditamos. Despejamos tanta violência sobre aquele que amamos para provocar. Para desencadear uma reação. Somos cruéis em nome de amor, para não sujar o nosso nome.

Somos imundos, desolados, irascíveis. Por não agüentar alguma coisa não resolvida em nossa vida. Algo aberto, inacabado. Uma fresta nas venezianas e não mais dormimos. Desconfio que nossa curiosidade está toda no ódio. Não toleramos ter que esperar. Se ele ou ela não vem agora é que não me deseja mesmo. Concluímos logo. Feitos perfeitamente para a fúria, incomodados com a brisa.

Procuramos decidir de vez se aquilo presta ou se não presta, se vale ou se não vale. Ansiamos por um veredicto, uma salvação, uma paz. Penso que desejamos a separação para não sofrer mais. Produzimos a separação, é a resposta mais rápida. A resposta mais rápida é vista como a certa. Um alívio para seguir com o trabalho, e mostrar clareza aos amigos.

E os amigos bem-intencionados não vão nos ajudar. O que disserem a respeito do que aconteceu não será suficiente, o amor é um dialeto restrito aos dois que se amam.

Não reparamos no principal, Amor. Não reparamos que quando amamos o tempo não faz a mínima diferença. Amar será sempre recente: será ontem. Anos juntos e a sensação é que foi ontem. Anos separados e a sensação é que foi ontem. Ontem, ontem. Não há anteontem no amor. As lembranças mais longínquas já são corpo.

É uma pena, Amor, que somos mais decididos do que amorosos. Amar é não decidir. Decidir é terminar sempre.

Fabrício Carpinejar

Carpinejar, por um triz, não me levou a beira das lágrimas.
"O meu amor partiu
Cansou dos meus vícios
E mesmo que amanhã ele volte com outro feitiço
Hoje meu amor partiu e nada vai
Nada vai mudar isso"

Sabe-se lá o porquê, meus amores sempre partem, cansam dos meus vícios...
Eu preciso de um botão de pause, um outro para voltar e mais um outro para play. Preciso de um controle. A verdade é que todas essas nossas discussões me matam pouco a pouco por dentro, você não sabe um terço do quanto eu sofro com tudo isso, ainda que não o sofrimento não seja aparente. E que cada dia, mais e mais, são essas discussões que arrancam lágrimas. Sabe pai, na vida a gente erra mesmo, desliga-se de algumas coisas e eu sou mesmo desligada por natureza, mas te juro, tento fazer o melhor de mim para ser orgulho para você. O problema, ou a solução, é que somos insuportavelmente parecidos, e eu te amo, bem mais que a mim mesma, bem mais que qualquer clichê tentaria explicar...