segunda-feira

"Se você tem ai contigo alguma coisa pra me dar,
se tem espaço de sobra no seu coração.
Quer levar minha bagagem ou não?

Tem espaço de sobra no meu coração.
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão. "

Só queria um espaço num doce coração, mas infelizmente, nem tudo é como se quer.

We get on

Simplesmente saber que você existe não é o suficiente pra mim
Mas pedir seu telefone
Parece muito inadequado

Já que eu não consigo
Você não me fala 'Oi'
Quando você passa

E aquela vez que você me cumprimentou foi tão legal
Eu juro que nunca me senti assim por nenhum outro cara
E eu não costumo reparar nos olhos das pessoas, mas...

Eu só penso que nós poderíamos nos dar bem
Eu gostaria de te dizer isso cara a cara
Ao invés de cantar essa música estúpida
Mas sim, eu só acho que nós poderíamos nos dar bem

Bailarina e o Astronauta

Eu sou uma bailarina e cheguei aqui sozinha
não pergunte como eu vim
porque já não sei de mim
do meu circo eu fui embora
eu sei que minha família chora
não podia desistir
se um dia como um sonho
ele apareceu pra mim

tão brilhante como um lindo avião
chamuscando fogo e cinza pelo chão.

De repente como um susto
num arbusto logo em frente aconteceu uma explosão
afastando a minha gente
mas eu não quis ir embora
eu não podia ir embora
como se nascesse ali
um amor absoluto pelo homem que eu vi


Poderia lhe entregar meu coração
alma, vida e até minha atenção?

Mas vieram as sirenes
e homens falando estranho
carregaram meu presente
como se ele fosse um santo
dirigiam um carro branco
e num segundo foram embora
desse dia até agora
não sei como, não pergunte, procuro por todo canto


Astronauta diz pra mim, cadê você
Bailarina não consegue mais viver
' diz:
mas voce é jovem ainda, quando um cara enxergar todas as coisas boas que voce tem , ele vai ser alguem diferente dos outros
' diz:
talvez voce mesmo mude, e acabe gostando de outros tipos de pessoas

(Desde que me apaixonei, meu disco riscou, e eu não falo de mais nada além de paixões e perdas, estou tão repetitiva que nem eu mesma me aguento mais).

Disco riscado

Não falo do amor romântico,
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.

A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.

O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.

-Meu disco chegou até aí, riscou, parou.
Porque as coisas não são sendo ou passam a ser não sendo a partir de qualquer momento em que os olhos não se encontram mais, param de piscar, nas noites em claro.
Não adianta pensar que o amor é uma grande árvore que dá frutos o ano todo. É uma árvore sujeita a cupins, podendo despencar e matar gente inocente, pedestres.
Sou pedestre, como os Beatles naquela tão famosa foto. Minha foto não é famosa, tampouco o caso. Era só uma pedestre, cuspindo o coração para fora com bolhas de sabão, soprando os pedaços p'ra longe, chorando feito um bebê, por motivos não óbvios, não querendo o querer.
Atravessei a rua, estou do outro lado do muro, do mundo e de mim. Estou em casa, sentada no chão desta sala tão branco quanto planejei, liguei e tevê e me desliguei.

Abram alas aos velhos guardados

Chegar ao fim de uma jornada, atrás dessa vida emprestada e, assim, passageira. Hoje, sentada neste quarto vazio, desta casa habitada somente por mim, só consigo pensar no que será daqui pra frente. Eu tenho mais de 40 anos, meus sonhos e objetivos se foram com os anos. Tenho lembranças. LEMBRANÇA, palavra deliciosa e triste, deliciosamente triste.
No vai e vem desses dias que já passaram, tanta coisa aconteceu que eu nem posso contar, o céu refletia as cores que eu queria ver, viajei em sonhos, amei. Amar, eu muito amei, da forma mais exagerada possível e errei. Pequei nos exageros, estremos, me equivoquei, perdi. Hoje sou eu, eu e minhas lembranças, nada mais.
Não restou nada, não tenho alvo, objetivos. Passo dias esperando o telefone tocar, ou mesmo a campainha, que seja. Isso não aconteceu. Estou sozinha, e amanhã? Amanhã é outro dia.

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